Enfermeiro morre após ser infectado com agulha contaminada em hospital

O Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG) acompanha as apurações da morte do enfermeiro Maurício Vargas, de 30 anos. Ele era funcionário do hospital Life Center, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, havia pelo menos dois anos. Informações iniciais dão conta de que Vargas foi a óbito após contrair uma infecção generalizada tentando introduzir uma agulha na veia de um paciente, que estava no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da unidade de saúde. O enfermeiro foi enterrado nessa segunda (6), uma semana após o acidente.

Uma prima de Maurício conversou com o Bhaznesta terça-feira (7) e disse que a morte dele pegou a todos de surpresa. Simone Vargas, de 31 anos, explicou que o enfermeiro começou a sentir-se mal dias depois de ter se cortado com a agulha. No local, surgiu um abcesso. Ele sentiu dores de cabeça, febre e desmaiou em uma barbearia na quinta-feira passada (2). “O Maurício passou mal na barbearia e foi para casa tomar um banho. Depois, resolveu que queria ser levado ao hospital. Tudo ocorreu muito rápido. A situação dele piorou repentinamente”, disse.
Antes de ser hospitalizado, Vargas continuou trabalhando normalmente. Simone conta que ele fez exames de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) após o acidente, mas argumentou que a situação pode ter sido neglicenciada pelo hospital. “Não o alertaram que poderia ser grave, o paciente estava no CTI de um grande hospital e o Maurício era muito forte. Fui visitá-lo no domingo de manhã (5) e pelo estado em que eu o vi lá, não podemos deixar passar essa história em vão”, contou a assistente administrativa. Maurício era casado e deixou um filho de 2 anos.

O hospital Life Center informou por meio de nota (leia abaixo na íntegra) que todos os cuidados, sem restrições, foram empreendidos no sentido do acompanhamento e recuperação do colaborador. “Contudo, infelizmente, mesmo com todos os esforços, ele não respondeu aos tratamentos empregados e faleceu, causando comoção em toda a equipe e instituição, que estão em luto pelo colega de trabalho.”

“O Maurício trabalhava nessa área havia cinco anos e nunca tinha sofrido um acidente. Ele era apaixonado pela profissão e muito querido, inclusive no hospital. O enterro tinha pessoas de outros trabalhos dele, todos muito abalados. E na família temos outros enfermeiros; todos ficamos muito chocados. Não queremos deixar passar para que não aconteça o mesmo com outros trabalhadores”, disse Simone.

Comoção nas redes sociais

Nas redes sociais, amigos e familiares prestam homenagens a Maurício. A maioria dos posts lembra as qualidades dele, principalmente o fato de ser considerado um bom pai, filho e marido.
“Grande profissional”

O coordenador da Comissão de Ética do Coren-MG conversou com o Bhaz a respeito da morte de Maurício Vargas. Segundo Farley Sindeaux, que é enfermeiro fiscal, o órgão tem competência para fiscalizar hospitais e vai fazer o acompanhamento do caso.

“Fazemos visitas de rotina e prestamos orientações para evitar que situações como esta se repitam. Há uma sobrecarga de trabalho e, muitas vezes, as condições nos locais também não são favoráveis, o que pode contribuir para acidentes deste tipo”, explicou.

“A gente precisa olhar também pelos profissionais da saúde, um olhar que deve partir da sociedade como um todo. O Coren produz relatórios e notifica os gestores a respeito de irregularidades. Caso as situações não sejam solucionadas, enviamos para os órgãos judiciais competentes”, conta. “A morte do Maurício é uma perda muito grande para a enfermagem e para a sociedade. Ele era um grande profissional e agregava muito para todos nós”, acrescentou.

O que diz o hospital Life Center (nota na íntegra):

O Hospital Life Center esclarece, por meio de sua assessoria de imprensa, que, em relação ao falecimento do colaborador Maurício Vargas da Silva Júnior, todos os cuidados, sem restrições, foram empreendidos no sentido de seu acompanhamento e recuperação. Contudo, infelizmente, mesmo com todos os esforços, ele não respondeu aos tratamentos empregados e faleceu, causando comoção em toda a equipe e instituição, que estão em luto pelo colega de trabalho.

Todos os protocolos médicos recomendados de cuidado ao colaborador foram seguidos e tratados de forma rigorosa, visando o seu monitoramento e pronta ação para tratamento. As autoridades competentes foram notificadas, conforme a evolução do caso, e continuam acompanhando de perto, com amplo acesso a toda a documentação disponível. Todo apoio psicológico e assistencial foi oferecido à família como forma de confortá-los neste momento tão difícil. Lamentamos o fato de que notícias falsas estejam circulando em redes sociais e veículos de comunicação, expondo colaboradores e a instituição neste momento de pesar profundo.
Fonte site BHAZ.

 

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